Publicado por: cinemastation | 16/11/2009

“A TETA ASSUSTADA”. DE CLAUDIA LLOSA

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Primeiro de tudo. “A Teta Assustada” de Claudia Llosa é uma obra puramente cultural, nos presenteia com a aproximação dos costumes, folclores e hábitos do Peru, que fascina por sua excentricidade e diverte pelo doce humor natural de um povo que em meio a dificuldades, busca tornar a felicidade objetivo de vida. Outro motivo porém, é que     “A Teta Assustada” encanta pelo seu olhar fílmico feminino, sua análise de discurso reconstrói os padrões de “olhares” que extrapolam a mera catalogação de gêneros.

Como premissa, a obra de Claudia Llosa revela dois mitos inerentes daquele povoado, que interferem no cotidiano e na saúde da protagonista Fausta. Como crença folclórica a família acredita que a garota sofre do mal “A Teta Assustada”, doença ou maldição que as mulheres que eram estupradas durante a guerra e o terrorismo no Peru acreditavam transmitir para os bebês durante a amamentação. Fausta impressionada com as histórias de sua mãe que está prestes a morrer adota uma crença nem um pouco saudável para evitar sofrer o mesmo mal.

O filme no início já demonstra sua crítica, a tela negra que permanece em quase cinco minutos embalada pela canção da mãe de Fausta, esta já no leito de sua morte, representa a dor feminina e o desrespeito à mulher na época negra daquele povoado. Peça desse cenário escuro, Fausta como filha dessa dor, precisa enterrar o cadáver de sua mãe, ainda guardado em casa onde vive. Além disso, a protagonista precisa lidar com o seu próprio corpo e saúde, com uma infecção no útero devido ao método nada convencional utilizado para se proteger da maldição que acredita estar. Essas ações de Fausta criam toda dramaticidade da obra, blindada contra toda e qualquer possibilidade de violência por parte de homens. Curioso também é o olhar e os movimentos de Fausta na presença masculina.

“A Teta Assustada” é um filme puramente simbólico e preocupado com seus detalhes. O portão eletrônico na casa da patroa de Fausta é a divisão entre a pobreza e a riqueza, fator comum nos países de terceiro mundo. Este signo ainda pode ser visto como representação sexual de Fausta e sua própria condição, pois é ela que determina a entrada dos homens na casa, essa relação é vista sempre com desconfiança da protagonista. Outros elementos são as batatas e as pombas, estas representam a segurança e a vida de Fausta. “Batatas são baratas e florescem pouco” diz o jardineiro para Fausta, este momento é puramente simbólico, pois é a visão da condição da protagonista.

Filmado de forma calculada, Claudia Llosa faz de “A Teta Assustada” um exercício imagético hipnotizador, cenas longas e documentais revelam o bucolismo peruano e da mesma forma o mar de indivíduos que intimamente se aprisionam na solidão de seus problemas. É curioso, mas acima de tudo doloroso, mas nas mãos de uma diretora tão caprichosa o alívio é anestesiante.

O olhar feminino de uma diretora é preocupado na composição dos detalhes, a relação disso uma explosão de significados. Esse quadro de recortes é belo, ainda mais quando o espectador identifica que no meio de um campo aberto existem, agora de forma simbólica, imensas batatas que circundam e aprisionam os indivíduos.

 

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