Publicado por: cinemastation | 26/10/2009

DISTRITO 9

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Por mais que falte praticamente dois meses para acabar o ano, a possibilidade de muitos filmes marcarem presença no cenário cinematográfico mundial ainda é grande. E mesmo assim arrisco em dizer que “Distrito 9” do sul-africano Neill Blomkamp é o filme mais criativo desse ano.

“Distrito 9” já ganha sua atenção a partir de sua premissa. Filmado em formato documentário, tecnicamente conhecido como mockumentary, característica também dos filmes “Cloverfield” e a “Bruxa de Blair”, o longa segue a trama de uma nave extraterrestre que fica presa no ar sobre a cidade de Johannesburgo. Como nada acontece por semanas, a cidade resolve arquitetar uma invasão. Dentro da espaçonave encontra-se um grupo de alienígenas em situações precárias. Trazidos para o solo em uma missão humanitária da cidade, passam a habitar uma área delimitada dentro da metrópole, área esta que 20 anos depois, já se transformou numa imensa favela enquanto os extraterrestres passam a ser vistas com hostilidade por seus vizinhos humanos.

Fugindo dos padrões cinematográficos, “Distrito 9” quebra os estereótipos alienígenas criados para o cinema. O que antes o víamos sob duas formas, o invasor que busca através de um plano esquemático destruir os humanos e aqueles que querem salvar o homem do próprio homem. “Distrito 9” de forma bem mais diferente e criativa representa um alien mais oprimido e resignado a comer lixo na favela.

Essa nova visão está fazendo o maior sucesso pelo mundo. Com a produção de Peter Jackson (diretor da trilogia “O Senhor dos Anéis), o longa já rendeu mundialmente US$ 163 milhões para um orçamento de US$ 30 milhões, o que é mínimo para a ambição do filme e o show de efeitos especiais.

Como força de representação, “Distrito 9” busca abordar o tema “racismo” já usado e re-utilizado no cinema, mas de forma bem mais trabalhada e criativa. A chegada dos extraterrestres é mostrada através de imagens de registros dos canais de notícias que são intercalados a depoimentos de especialistas. Dessa forma descobrimos a natureza preconceituosa do protagonista, assim como a forma de viver dos aliens.

A sensação de realidade de “Distrito 9” é desenvolvida de forma tão sutil que de certa forma coloca o espectador sem questionamentos sobre o assunto proposto pelo filme, da mesma forma como os moradores da favela. A linguagem documental logo é abalada para compor a tecnologia dos alienígenas.

“Distrito 9” mesmo com propósitos de ser mais um blockbuster, nos atinge como crítica do mundo em que vivemos. Mais uma vez estamos frente ao abalo midiático, a mídia por mais espetacular ou absurda que ela seja é o agente anestésico e o guia da população em tempos catastróficos, que seguem as pistas superficiais propostas pela notícia. O filme aproveita também o momento “catástrofe” conscientizar mais uma vez que as pessoas caminham com urgência, prestes a deparar-se sempre com algo pior. Rever crenças e valores não é ato de humanidade e bondade de cada um, transformações apenas são ditadas através das circunstâncias.

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Responses

  1. Adorei o site. Vai tá nos meus favoritos! =)

    • Uia! Valeu valeu! Seu comentário me deixou feliz =D

  2. Só uma sugestão!!! Os textos estão de difícieis de ker, poderia mudar a fonte.
    Do mais, está excelente, bela abordagem sobre esse excelente filme!!!
    Abraço


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