Publicado por: cinemastation | 09/10/2009

DISSECADO PELO ANTICRISTO DE LARS VON TRIER

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Todas as obras realizadas sejam elas fílmicas ou não, que tiveram a premissa de retratar a dor como sentimento regente da consciência humana, ou melhor, da natureza humana são em maior parte recebidas com expressão de asco pelo público exposto. Luto, dor e desespero sempre foram sentimentos difíceis de serem administrados e suportados, ser consumido por esses percalços de certa forma revela o mundo obscuro subjetivo de cada consciência e lentamente o câncer da humanidade.

“Anticristo” de Lars Von Trier expõe a verdade ácida sobre o tempo hedonista atual, um ensaio sobre a natureza humana que extrai de cada individuo o seu maior mal, a essência da verdade interior.

Pregar peças no espectador sempre foi a maior diversão do diretor, passar por sua filmografia é um processo de olhar-se no espelho, razão que Lars Von Trier torna-se um diretor de poucos, de certa forma odiado por muitos. Com “Anticristo” o cineasta deixa isso claro, mascarado por suas atitudes duvidosas como “criar “Anticristo” foi um processo de curar-se da depressão” e até mesmo “voltar a expressar-se criativamente”. Quem conhece Lars Von Trier sabe que  essas atitudes são de certa forma propositais, um diretor como Trier adoraria ser intitulado por críticos e cinéfilos como “O Anticristo”. Fato que “Anticristo” foi recebido comicamente dessa forma por metade dos espectadores em um dos mais conceituados festivais de cinema do mundo. O que é vergonhoso.

“Anticristo” é o filme mais subjetivo de Trier, isso não dá para negar. Ficaria discorrendo horas e horas sobre isso, o que é encantador. Nessa sua última obra o cineasta cria o exercício de auto-análise e de certa forma é assustador. É um filme forte e difícil de aceitar, mesmo porque é o espelho da consciência humana, revelada por sua própria natureza. Estar frente a isso é puramente revelador de nossas capacidades, loucuras e principalmente de nossa maldade. Com “Anticristo” de Lars Von Trier descobrimos que a linha entre o Bem e o Mal não existe, porque não sabemos do limite de cada um e para não enfrentar vamos parar no sobrenatural. Afinal é muito melhor abster-se do que aceitar-se.

Não revelo a história de “Anticristo” nesse texto porque não há necessidade e também não quero expressar os sentimentos do enredo. “Anticristo” não é um filme, é um exercício de auto-reflexão, precisamos estar livres de preconceitos, abertos a isso e principalmente ter coragem de aceitar nossa própria condição de consciência e provavelmente despertar-se. Lidar com a dor não é fácil, aceitar perder o que você a mais está preso é um processo doloroso. Não. “Anticristo” não é um filme obscuro, mas como disse é preciso estar livre para ele, a experiência diante a esse espelho é puramente catártica.

A humanidade precisa urgentemente curar-se, “Anticristo” obviamente em nenhum momento promete isso, mas revela a urgência do quão somos presos ao mínimo do que o mundo pode oferecer e ao verdadeiro monstro que podemos nos tornar se algo ou alguém nos tirar isso. De repente o “anticristo” que somos vem da própria natureza, libertar-se disso está ainda muito longe. Primeiro porque é muito fácil não querer, segundo porque é muito difícil transparecer.

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