Publicado por: cinemastation | 15/09/2009

Por favor, Arraste-me para o Inferno.

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Fico imaginando Stephen King assistindo “Arraste-me para o Inferno” (o que já deve ter feito) sairá gritando de felicidade (ou pelo menos tentará) pelos corredores do cinema. Primeiro pela volta do diretor Sam Raimi às suas raízes e segundo pelo fato de que “Arraste-me para o Inferno” resgata o horror trash que a maioria dos cinéfilos buscavam a cada lançamento fracassado de um filme de terror.

Sam Raimi para quem não lembra é o diretor que dirigiu a franquia “O Homem-Aranha” e depois do fracassado terceiro filme de Peter Parker, o cineasta retorna às suas raízes da trilogia “Uma noite Alucinante” (Evil Dead) e compõe não o melhor de sua carreira, mas pelo menos o gostinho assustador e trash do passado com o presente “Arraste-me para o Inferno”.

Assinado por Sam Raimi e seu irmão Ivan Raimi, assim como regra de todo filme de gênero (refiro-me aos filmes de terror do passado), a história é puramente direta, sem frescuras de roteiro, não ofende de forma alguma a inteligência do espectador e diferente dos atuais filmes de horror.

“Arraste-me para o Inferno” nos conta a história de Christine Brown (Alison Lohman) que trabalha como analista de crédito e vive com seu namorado, o professor Clay Dalton (Justin Long). Um dia, para impressionar seu chefe, ela recusa o pedido de uma senhora (Lorna Raver) para conseguir um acréscimo em seu empréstimo, de forma que possa pagar sua casa. Como vingança ela joga uma maldição sobrenatural na vida de Christine.

O roteiro manipula de forma eficiente as expectativas do público, mesmo nos momentos em que propositalmente a cena se torna clichê para causar o famoso “pulo da cadeira”, o que nada mais é do que brincadeira criada por Sam Raimi fazendo a platéia rir do próprio susto que está por vir e que o “pulo da cadeira” queira ou não, vai acontecer.

Assim como em “Uma noite alucinante” e o que foi um prato cheio nos gêneros trash do passado, as cenas repulsivas são abusadas pelo diretor a fim de trabalhar com o humor negro. O exagero é pouco e a protagonista é vítima a todo momento de qualquer tipo de secreção nojenta. Hilário é também a cena mais absurda da projeção, onde nos deparamos com o longo confronto físico entre a mocinha e a cigana.

Em aspectos técnicos, Sam Raimi não esconde em nenhum momento sua diversão, abusando dos cortes secos, takes inclinados, zooms, referenciando os filmes do fim de 70. Da mesma forma abusa dos efeitos visuais colocando monstros eletrônicos a contracenar com a protagonista, o que ao mesmo tempo diverte e assusta até o último fio de cabelo.

O cinema trash infelizmente se perdeu no tempo, hoje com a tentativa de certos cineastas reinventarem o gênero, acabam caindo no ridículo. Mas não é o trash o ridículo? Com certeza não. O cinema trash assustou e muito naquela época e com a inserção dos efeitos especiais o gênero foi perdendo o seu poder “realístico” e assustador. Mas o trash sempre assustou.  Sempre caminhou por caminhos desconhecidos e ocultos o que resultou em cenas lendárias e assustadoras até hoje.

Portanto, é maravilhoso encontrar ainda alguns presentes como “Arraste-me para o Inferno”, mesmo porque a nostalgia sempre foi deliciosa de apreciar. Hoje o mundo consome o descartável, o que pode em certos momentos não ser ruim, mas é tão bom resgatar as coisas boas do passado, é como o sentimento daquela famosa cena da mocinha que assustada “pula da cadeira” e vai aos braços do rapaz para confortar-se. Parar um pouco e respirar nesse mundo avassalador às vezes é necessário e o cinema está aí para isso. Para assustar ou rir ele sempre vai estar lá para nos anestesiar em um saudosismo nostálgico.

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Responses

  1. eu vi, e eu amei esse filme…

    ao mesmo etmpo q eu dava risada, eu me assustava..

    adoro esse tipo de filme.

    =)


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